Havia algo na minha cabeça, uma vez, um sonho que eu acho que se chamava Ele. Ele estava ferido, pendurado num dos cantos da minha mente, por um fio.
Perguntei-lhe porque e como é que ele tinha chegado, e ele disse-me que era o produto do mundo imaginário de criança, o mais simples dos sentimentos, felicidade e amor. A sensação de liberdade que decorre ao ser jovem.
"Lembras-te de mim?" Perguntou ele. "Foste tu que me crias-te. A única a dar vida a uma fantasia flutuante e deixá-la criar raízes". Quando eu disse que eu não me conseguia lembrar, de quando ele nasceu, que estava num lugar e tempo esquecido de mim, parecia ainda mais fraco, encolhendo-se em si mesmo como a sua aderência solta. "Tu perguntaste-me como é que eu vim aqui parar. Foi apenas por uma razão. Uma vez eu venci, brilhante e ousado, alimentado por confiança e fé... a tua. Mas desvaneceram e diminuíram. Como começas-te a ver o mundo real, vies-te a saber o que é estar vivo, afastaste-te de mim, em desespero, acreditando que perder tempo com o improvável era para desperdiça-lo completamente. Em vez disso, contentaste-te em simplesmente sobreviver. Desistis-te dos teus sonhos de teres um emprego estável, um rendimento estável. Para teres um tecto sobre a tua cabeça e comida na mesa. Tu perdes-te pedaços de ti ao longo do caminho e eu sou o último, agarrado à borda, na esperança de algo vir a mudar ".
Isso chocou-me, esta resposta, na sua verdade flagrante. Por muito tempo eu tinha-me dito que como eu estava a viver era como a vida era para ser. Lenta, constante e segura. Eu tinha pensado que era uma coisa boa. E ainda mesmo que agora eu podia ver que isso não era verdade, que minha vida estava estagnada na sua simplicidade, eu sabia que não poderia fazer-me mudar, por medo do que aconteceria se eu tentasse. Mesmo quando eu percebi isso, o meu sonho cintilou melancolicamente, reconhecendo a minha decisão.
A minha cobardia.
"Está tudo bem". Acalmou. "Eu entendo. Não precisas de te sentir culpada. O mundo em teu redor é um lugar cruel, implacável. É melhor, talvez, que sejas capaz de suportar, do que arriscar tudo o que sabes ser um desejo infantil." Enquanto eu o segurava perto de mim, oferecendo o pouco que pude para facilitar a sua passagem, o brilho suave finalmente saiu. Desmaiou nos meus braços e, em seguida, desfez-se em pó, deslizando através dos meus dedos, levando com ele o resto do que-poderia-ter-acontecido.
Testemunho da passagem de um sonho.

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